quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A última cartada


Você me faz bem

Sorrateiro e desequilibrado

Fico tonto e apavorado

Torto e precipitado

Mas é só quando eu te vejo

Que os sois mudam de cor

Com duas ou três taças de líquor

Sinto o despedaçar me sobrepor

Mas...para que mais?

Desse mais ou menos ilusório

As incertezas povoam o sentido de ser

Você povoa sem povoar meu habitat

Com você é onde queria estar

Seja aqui ou lá

Na miserável sarjeta que me aprofundei

Onde sou uma espécie de rei

Sozinho em meu castelo de cartas embaralhadas

Pisando em flores murchas e garrafas esvaziadas

Seu viver em minha mente se torna raro

Na raridade irreal, que só existe em beira de mar

O ar fugaz não me faz prosseguir

É talvez seja aqui, talvez esteja aqui

O acaso me traz o momento certo de partir

Espero uma onda ou duas até me decidir

Fujo do momento seguinte, finjo ser meu ato heróico

Do um salto ao infinito, alcançando o finito que posso.

(Roberto Peres e Vicente Costa)

Um comentário:

dani disse...

com a imaginação de vcs tudo fica mais bunito !!! parabens